As horas
Hoje revi o filme As Horas (The hours) que já tinha visto em 2002 numa sala de cinema.
O filme é tão completo a nível de emoções e de mensagens de vida, que não está ao alcance de todos. Lembro-me perfeitamente da quantidade de pessoas que abandonaram o cinema a meio do filme e de algumas aquém falei dele que me perguntam como é possível eu tê-lo com um dos filmes “da minha vida”.
E porque estou eu a falar deste filme? A resposta é bastante simples.
(A ti…)
Muitas vezes vemo-nos confrontados com decisões difíceis mas que podem mudar o curso de toda uma vida. Existem sempre muitas saídas para as nossas escolhas, até aquela em que se torna uma mentira numa verdade tão forte que até o seu criador passa a acreditar nela.
E é então que a linha que, supostamente, separa a sanidade da insanidade é muito fina, mesmo para quem tem uma vida hipoteticamente feliz e completamente normal. Mesmo para quem passa a vida a gritar ao vento que está bem com o mundo, com eles mesmos, com a vida, que é feliz e que a sua consciência está serena e nada lhe dita em contrário.
Criam-se máscaras, personagens, fantoches, vivências distorcidas e frustrações demasiadamente bem camufladas com manobras de divergência de atenções. Criam-se concordâncias de conveniência e benevolência para que não se veja para além disso, para além do que se diz, antes que alguém veja um pouco dessa imagem que é reflectida no espelho da casa de banho.
Ninguém sabe na realidade quem somos, quem fomos, o que fizemos e o que seremos capazes de fazer. Porque nunca ninguém sabe tudo da vida de ninguém, e ninguém sabe dela tão bem como nós.
Mas o que importa tudo isso quando o som dos aplausos emudece as palavras que nunca saíram e permite acreditar que somos o que os outros desejam ser, que temos os que outros desejam ter?
Uma das coisas que mais aprecio na vida é gostar da genuinidade das coisas, e estas, não são perfeitas, estão longe disso. Mas são genuínas.
Publicado por BButerfly em
10:22 PM